sexta-feira, 25 de março de 2016

NÃO SOMOS O CENTRO DO MUNDO

Há algum tempo não consigo parar para sentar e escrever. Essa vida de estagiária que quer ser fitness e ainda por cima entender o funcionamento da mente, sem deixar de ter vida está me rendendo algumas rugas e um punhado de cabelos brancos (hoje quando entrei no elevador e vi um cabelinho rebelde todo espetado cheguei perto do espelho para ver melhor e você não imagina o tamanho do susto quando vi vários coleguinhas desse, todos juntos)...
Chegando da academia resolvi ler minhas dezenas de e-mails atrasados e esse muito me tocou (não porque eu ache que tenha depressão, minha terapeuta diz que tenho apenas mente agitada, para os entendedores a famosa Síndrome do Pensamento Acelerado), porque cada dia vemos mais e mais pessoas infelizes, negativas e se lastimando de tudo (segundo minha mãe, eu sou uma dessas pessoas hiper negativas. justo eu que me achava "a otimista!").

Isso me faz perguntar, o que está acontecendo com a nossa geração, que tem "tudo" e é extremamente infeliz?

Por questionar isso diariamente resolvi compartilhar esse texto de Mark Ford, que me foi enviado por uma professora que luta contra a depressão há vários anos. Espero com isso te ajudar a  sentir o tapa na cara que senti quando li...

9 passos para derrotar a depressão

O segredo para ser feliz é tirar o foco dos problemas e ter uma vida mais equilibrada e saudável 
A receita mais popular de felicidade é também a mais estúpida. Estou falando da ideia de que você pode derrotar a depressão “prestando atenção em si mesmo”.
Na verdade, quanto mais atenção você prestar em si mesmo, menos felicidade terá. Concentrar-se em si mesmo pode perpetuar os sentimentos de desamparo.
Pense nas pessoas menos felizes que conhece. Sobre o que elas costumam falar? Realizações, problemas, esperanças, preocupações. Em resumo: sobre si mesmas.
Tenho uma amiga que chamarei de Shelly. Shelly é uma mulher bonita e inteligente, mas não consegue ter relacionamentos duradouros. “As pessoas sempre me decepcionam”, diz.
Toda vez que a vejo, ela fala sem parar sobre as pessoas que a decepcionaram, reclama do chefe e do companheiro. Ela o faz com senso de humor – mas é sempre: eu, eu, eu, eu.
Sugeri que ela seria mais feliz se fizesse algum trabalho voluntário ou se tivesse um hobby. Talvez se adotasse um animal de estimação. Mas ela não escuta.
Para quem observa, Shelly não tem motivos para reclamar. Ela tem a saúde perfeita, uma família saudável e segurança financeira – tudo isso a coloca entre as pessoas mais sortudas do planeta. Mesmo assim, ela só vê os aspectos negativos.
Você deve ter uma Shelly em sua vida. Talvez mais de uma.
O problema com as Shellys é que elas passam muito tempo pensando e falando sobre problemas. Suas vidas nunca melhoram. E elas não entendem o porquê.
Essas pessoas acreditam que a solução está em suscitar a compaixão alheia e não entendem que buscar atenção é grande parte do problema.
É bom quando as pessoas prestam atenção em nós. Mas, mesmo nas situações mais intensas (imagine ser uma estrela de cinema), o prazer desaparece assim que a atenção vai embora.
É como usar drogas. O efeito é temporário, é viciante e você quer sempre mais, mas nunca é suficiente.
Por fim, isso te mata.
Na próxima vez que estiver se sentindo triste ou com raiva, admita que há uma forma de ficar feliz de novo.
Veja como...
1. Aceite que não há problemas em se sentir mal de vez em quando.
Apesar de sua força e de suas realizações, às vezes, você se sentirá mal. É natural que pessoas ambiciosas (como você) se sintam assim.
Como o especialista em produtividade Tim Ferriss sempre diz: dúvidas e tristeza ocasionais são parte integral de realizações memoráveis.

2. Se você está chateado por algo que fez a si mesmo, perdoe-se.
Tudo bem. Você pisou na bola. O que importa é o que você fará a seguir, não o que acabou de fazer.
Às vezes, fico bravo quando me sinto pressionado por obrigações profissionais. Mas, quando analiso o motivo de tanto trabalho, percebo que sou eu mesmo que busco essas obrigações.
Quando observo que meu humor está sendo afetado por minhas ações, tento me lembrar de quanta sorte tenho. “Tudo bem ficar bravo, mas não é preciso. Você consegue terminar esse dia. E terá mais disciplina amanhã.” Me sinto melhor instantaneamente.

3. Se você está chateado por causa de algo que outra pessoa fez, relaxe.
Conte até 10. Reconheça que você não pode controlar o comportamento dos outros. A única coisa que sob seu controle é sua resposta ao comportamento dos outros. Ninguém pode tirar isso de você.
Eu ficava irritado quando minha família, amigos ou colegas cometiam um erro. Percebo agora o quão estúpida é essa atitude. Não me fazia bem. E me deixava menos produtivo e mais infeliz. Além de me tornar uma pessoa desagradável.
Eu mudei quando aprendi a oferecer a outra face. No momento em que parei de sentir rancor pelas falhas dos outros, passei a me sentir melhor em relação a mim mesmo.
É incrível como funciona.
Alguém tromba com você na rua e você torce o tornozelo. Você tem uma escolha: ficar com raiva da pessoa, ficar com raiva de si mesmo por não ter prestado mais atenção ou se perdoar e perdoar a outra pessoa, mudando a forma como pensa sobre a lesão.
Em vez de reclamar de ficar de molho por uma semana ou duas, veja o período de recuperação como um presente – a chance de começar um novo projeto ou de acabar com a leitura atrasada.

4. Não deixe que expectativas exageradas interfiram em seus relacionamentos.
(Essa é uma subcategoria de não permitir que o comportamento de outras pessoas o incomodem.)
Em vez de ficar irritado com o hábito do cônjuge de (insira qualquer coisa que o irrite), aceite o fato de que ele não vai mudar e encontre uma forma de perdoá-lo... E até mesmo de amá-lo.
Em vez de ficar bravo porque seu filho é bagunceiro, encontre uma forma de amá-lo por suas qualidades enquanto gentilmente o ensina (dando o exemplo) as vantagens de ser organizado.
Em vez de ficar bravo com seu sócio porque ele não teve um desempenho tão bom quanto o esperado, aprenda a apreciar o que ele traz de bom e negocie um novo acordo. Por amor, não por raiva.
Aceitar as pessoas pelo que elas são não significa permitir que elas destruam a sua vida. Pelo contrário, significa ser realista – percebendo que, 90% das vezes, as características fundamentais de uma pessoa não mudam.
Se você considera algum tipo de comportamento inaceitável, mude a forma como lida com ele (algo que você pode fazer) em vez de tentar mudar a pessoa (algo que você não pode fazer).

5. Se está irritado por causa de circunstâncias fora de controle, relaxe mais uma vez.
Se a psicologia nos ensinou algo é que você pode lidar com seus problemas com mais eficiência se os definir como “problemas” (que podem ser solucionados) ou “apuros” (que podem ser contornados).
Ficar preso no trânsito ou pegar um resfriado não é motivo para ficar bravo consigo mesmo. Aliás, ser pego em um colapso econômico mundial também não.

6. Se está infeliz no trabalho, encontre uma forma de se importar com o que faz.
Como o vencedor do Prêmio Nobel o escritor Albert Camus disse “o que é felicidade, além da simples harmonia entre um homem e a vida que ele tem?”.
Você não será feliz se tiver um emprego que odeia – ou se fizer um péssimo trabalho em um projeto de que gosta. Mas, se aprender a se importar com o trabalho que faz, terá mais energia e passará a gostar dele. Ou, então, é hora de mudar de emprego.

7. Pratique um esporte ou um exercício físico – algo que exija tanto que você não consiga pensar em nada enquanto o pratica.
Caminhada, alongamento e ioga são ótimos. Se você os praticar com uma mente tranquila, eles o deixarão mais saudável e mais feliz.
Mas, se os praticar quando estiver triste, eles não ajudarão. Você se esquecerá do exercício e ficará com os pensamentos negativos, o que só vai piorar as coisas.
Jiu-jitsu e levantamento de peso são bons exemplos de exercícios mais desafiadores. Eles exigem concentração total – você não tem tempo para pensar em mais nada.

8. Reconheça que sua saúde tem muito a ver com seu humor.
Se você se sente mal na maior parte do tempo, você deve precisar de algumas mudanças de estilo de vida:
• Coma melhor. Ingerir muitos carboidratos te deixarão rabugento e cansado. Para ter energia consistente o dia todo, use os alimentos como combustível. Faça seis refeições pequenas por dia... Evite junk food... E prefira orgânicos, carne magra e bastante proteína.
• Durma (e descanse) de forma adequada. Para mim, sono de qualidade é muito importante. Estudos mostram que pessoas que dormem sete horas por noite vivem mais, ficam menos doentes e realizam mais coisas porque têm mais energia. Se você estiver cansado durante o dia, tire uma soneca.
• Ouça um bom médico sobre remédios antidepressivos. Costumo ser contra colocar químicos em meu corpo. Prefiro curas naturais. Mas antidepressivos ajudaram muito pessoas próximas a mim e podem ajudá-lo também. 

9. Parta para a ação, preste menos atenção em si mesmo e mais atenção aos outros.
Alguns exemplos:
• Faça seus amigos felizes. Sorria quando os vir. Ouça as histórias que contam. Aconselhe-os quando eles desejarem e fique quieto quando eles não quiserem ouvir. Torne-se a pessoa que procuram quando estão desanimados. Aprenda a amar – e os ajude a superar – suas falhas. Acima de tudo, seja leal.
• Seja um recurso confiável e constante para seus colegas de trabalho. Ajude-os a alcançar seus objetivos. Não por esperar algo de volta – mas por se importar com eles e desejar seu sucesso.
• Faça algo para alguém que você não conhece – um estranho, uma criança abrigada, uma pessoa pobre – que pode se beneficiar de sua ajuda. Gaste tempo e dinheiro.
• Faça desse foco exterior uma parte natural da vida. Faça consciente e deliberadamente até que ele se torne sua segunda natureza. Você saberá quando acontecer porque se sentirá feliz a maior parte do tempo. E quando ficar triste ou com raiva, será capaz de superar... De forma rápida e fácil.
Mark Ford

reprodução

Tenho estudado muito sobre a mente humana e como driblar esses sentimentos negativos e sintomas depressivos que vem aparecendo na nossa sociedade, assim que me sentir segura sobre o assunto quero escrever sobre o que venho aprendendo e compartilhar formas de ajudar nosso próprio Eu a se encontrar...

Até lá, beijos da Lay

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

FACULDADE ACABANDO, E AGORA? PARTE 2

Faculdade acabando, estágio acabando, e um mundo de opções para passar seu tempo (só até você se tornar um adulto chato, com um emprego que vai tomar todo o seu tempo e a sua vida).
Bom, acho que já falei que euzinha estou nessa situação ("quase" formada) e então para não afundar na minha linda cama (assumo que passaria todas as horas que não estivesse comendo, dormindo) e deixar passar a linda fase dos 20-30 anos resolvi procurar coisas legais (para alguém de espírito velho) para fazer até me afundar na vida de adulta de verdade...

Vai aí algumas sugestões:

- Você pode fazer um curso online gratuito (achei um site com uma variedade enorme de cursos: idiomas, matérias básicas para concursos, informática e até um curso de maquiagem, que é claro que eu farei)
Algumas sugestões da minha pesquisa:
- Você pode fazer artesanato (acho que ainda não contei, mas amo comprimidos - por que será né?! - então aprendi a fazer quadros de comprimidos e meu professor de Tecnologia Farmacêutica guardou várias cápsulas e comprimidos, de diversos tamanhos, cores e formatos. estou aprimorando minha técnica, pois dizem que todo gênio tem anos e anos de prática)


- Você pode ler um livro por semana (essa é minha nova meta, porém, entretanto, todavia já estou com três livros atrasados, pois levei janeiro inteiro para acabar "Como eu era antes de você" da Jojo Moyes, que por sinal é maravilhoso, mas era janeiro né?!)

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- Você pode fazer a viagem dos sonhos (tá que para isso é necessário um pouco mais de grana, principalmente se a sua viagem dos sonhos for algo como Disney. no meu caso a viagem dos sonhos vai ficar para quando eu estiver empregada...)

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- Você pode assistir várias novas séries (ainda estou formulando uma lista, mas por enquanto vou colocando em dia os vários episódios atrasados das séries antigas...)

- Você pode pintar livros anti estresse (cara, isso é a melhor coisa que inventaram "obrigada! Johanna Basford por ser tão genial")


Ou você pode dormir também, isso faria sua vida passar mais rápido, mas se você não ligar é uma ótima opção para desestressar, sem gastar dinheiro, energia e ainda pode renovar suas forças (só cuidado! uma vez me disseram que quem dorme 24 horas seguidas não acorda mais. então é bom ligar um despertador a cada 23h59).

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

FELIZ 2016

É chegada a hora de renovar as energias, de fazer novos votos e construir uma nova listinha de objetivos para o Novo Ano...
Bom, para 2016 eu só quero mesmo é me formar, de resto o que vir estarei aceitando. 

FELIZ ANO NOVO E QUE 2016 SEJA MELHOR QUE O ANO QUE PASSOU!

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

99% HUMANO, MAS AQUELE 1% É CAFEÍNA

Durante os últimos 11 semestres (exatamente 1954 dias) minha vida tem se resumido basicamente em xícaras de café...

Faculdade e café de mãos dadas 

É muito comum entrar no meu Instagram, antigamente no Facebook, e se deparar com uma nova foto de cadernos e "uma xícara de café", porque era basicamente isso que definia meu dia a dia (somente até hoje).
Minha primeira experiência com a cafeína foi, digamos traumática, claro que não o suficiente para que eu parasse de tomar...

Primeira prova da faculdade, Biologia Celular (cinco anos e meio atrás), e a pessoa aqui teve a brilhante ideia de passar a noite acordada estudando para tirar uma nota divina. Comprei uma lata de pó de guaraná (sabe aquele que vende nas farmácias?) e fui pra casa toda faceira. Eu não sabia fazer café direito, então pedi pra primeira pessoa que encontrei "... faz um café bem forte pra mim, que eu vou passar a noite estudando." e ele realmente fez um café beeeem forte (umas cinco colheres de sopa - bem cheias - de pó de café para meio litro de água); coloquei na garrafa térmica e adicionei mais três colheres de sopa de pó de guaraná (estou passando a receita, mas não façam isso, pelamor) e dá-lhe tomar café com pó de guaraná. 
Lá pelas 23h00 eu já estava agitadíssima e sentia meu sangue pulsar nas minhas veias; meu metabolismo estava tão acelerado que eu precisava comer a cada 30 minutos e concentrar que é bom nada...
00h00 eu comecei a passar mal, ânsia, enjoo e num último estágio me tornei rainha; passei o restante da noite comendo e colocando para fora. Até tentei dormir, mas quem disse que conseguia, meu corpo todo pulsava de tanta adrenalina sendo liberada e por mais que me esforçasse, não conseguia pregar o olho (parecia uma maluca com o olho estalado). Mas o pior veio no dia seguinte: não sabia nada na prova, meu estômago doía, sentia ânsia e por conseguinte não conseguia comer nada e para piorar mais ainda estava caindo de sono e não conseguia prestar atenção na aula da tarde (de manhã uma agitação maluca, de tarde uma leseira retardada).

E eu sou Layssa Oliveira e esse foi meu primeiro contato com a cafeína (rsrs).

Depois dessa péssima experiência, aprendi a usar com moderação, ou só tomo café, ou só energético, ou ainda, só um comprimido de cafeína, mas não mais potencializo o efeito deles tomando dois ao mesmo tempo (sim, eu passo muitas noites em claro, muitas vezes só com café ou com duas ou três latinhas de energético).

Foi assim que descobri um grande aliado na cafeína, pois me concentro melhor a partir das 22h00 e ficar acordada estudando depois de passar o dia estudando (longas aulas) não é fácil sem uma ajudinha. Então achei uma forma de tirar boas notas estudando de madrugada sem passar mal, é claro que se eu fizer isso durante uma semana toda (tipo essas últimas) em algum momento começarei a ter dor no estômago (sim! meu estômago dói). 

Então o que dizer dessa Cafeína que eu considero pacas? Foi bom ter você como aliada nesses momentos de guerra. 

Só que agora começa um terceiro round (provavelmente com muita cafeína também), mas sem provas (concursos não são provas, são pesadelos) e apesar dos meus olhos estarem fechando eu ainda estou aqui a fazer planos, até porque o que uma garota de 23 anos (que passou os últimos cinco anos sonhando em terminar as disciplinas dessa faculdade inacabável) pode fazer com as 18h00 livres do seu dia?
Além da lista de livros para ler...
Além dos quadros de comprimidos para fazer...
Além do livro que quer escrever...
Além dos lugares para conhecer...
Além das comidas para "engordar"...

Ah sim, ela pode estudar mais um pouco para passar num concurso, entrar na academia e cuidar da alimentação, porque já faz um tempo que ela vez prometendo até ao vento que cuidaria mais da saúde, até porque em 256 dias ela será uma profissional da saúde.

sábado, 5 de dezembro de 2015

RESENHA DO LIVRO OS BOTÕES DE NAPOLEÃO

LE COUTEUR, P.; BURRESON, J. Os botões de Napoleão: as 17 moléculas que mudaram a história. Zahar, Rio de Janeiro, 2006.

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Sendo ambos químicos, Penny Le Couter é professora de química do Capilano College e Jay Burreson é, atualmente, administrador de uma companhia de alta tecnologia no estado de Oregon, Estados Unidos, em 2003 publicaram a primeira edição norte-americana do livro “Os botões de Napoleão”.
Os botões de Napoleão é um romance que conta de uma forma fascinante a história do mundo, do ponto de vista químico. Dezessete moléculas que segundo os autores mudaram o curso da história da humanidade.
A narrativa inicia colocando um intrigante questionamento: Poderia Napoleão ter derrotado o exército russo? Pois, o estanho - material com que se confeccionavam os botões dos uniformes das tropas napoleônicas - se esfarela a temperaturas muito baixas, com isso seus uniformes se abriam e seus corpos congelavam. Seria esse fenômeno químico que contribuiu para a derrota do imperador francês? 
Algumas especiarias, como a pimenta, a noz-moscada e o cravo-da-índia foram decisivos no desdobramento histórico e gerou desenvolvimento econômico a nível mundial, pois, devido a apreciação e a escassez dessas, geraram preços elevados e levaram ao descobrimento da América, por exemplo.
Outros compostos, como o chumbo, utilizado para armazenar o vinho, eram muito apreciados, porém não se conhecia sua periculosidade. Ainda existem aqueles, como o isoeugenol e o fenol, que levaram a descoberta de muitos outros compostos que mudaram a história mundial.
Os autores conseguiram desenvolver uma narrativa envolvente e instigante envolvendo história e química. Sendo a química uma dificuldade de muitas pessoas, o livro trata de uma forma simplória, mas educativa as moléculas, levando ao entendimento também daqueles com pouco contato com a teoria propriamente dita. 

domingo, 29 de novembro de 2015

A CANÇÃO DE AMOR DE J. ALFRED PRUFROCK

**contraindicado para melancólicos, por conter mais melancolia

Sigamos então, tu e eu,
Enquanto o poente no céu se estende
Como um paciente anestesiado sobre a mesa;
Sigamos por certas ruas quase ermas,
Através dos sussurrantes refúgios
De noites indormidas em hotéis baratos,
Ao lado de botequins onde a serragem
Às conchas das ostras se entrelaça:
Ruas que se alongam como um tedioso argumento
Cujo insidioso intento
É atrair-te a uma angustiante questão . . .
Oh, não perguntes: "Qual?"
Sigamos a cumprir nossa visita.

No saguão as mulheres vêm e vão
A falar de Miguel Ângelo.

A fulva neblina que roça na vidraça suas espáduas,
A fumaça amarela que na vidraça seu focinho esfrega
E cuja língua resvala nas esquinas do crepúsculo,
Pousou sobre as poças aninhadas na sarjeta,
Deixou cair sobre seu dorso a fuligem das chaminés,
Deslizou furtiva no terraço, um repentino salto alçou,
E ao perceber que era uma tenra noite de outubro,
Enrodilhou-se ao redor da casa e adormeceu.

E na verdade tempo haver á
Para que ao longo das ruas flua a parda fumaça,
Roçando suas espáduas na vidraça;
Tempo haverá, tempo haverá
Para moldar um rosto com que enfrentar
Os rostos que encontrares;
Tempo para matar e criar,
E tempo para todos os trabalhos e os dias em que mãos
Sobre teu prato erguem, mas depois deixam cair uma questão;
Tempo para ti e tempo para mim,
E tempo ainda para uma centena de indecisões,
E uma centena de visões e revisões,
Antes do chá com torradas.

No saguão as mulheres vêm e vão
A falar de Miguel Ângelo.
E na verdade tempo haverá
Para dar rédeas à imaginação. "Ousarei" E . . "Ousarei?"
Tempo para voltar e descer os degraus,
Com uma calva entreaberta em meus cabelos
(Dirão eles: "Como andam ralos seus cabelos!")
- Meu fraque, meu colarinho a empinar-me com firmeza o queixo,
Minha soberba e modesta gravata, mas que um singelo alfinete apruma
(Dirão eles: "Mas como estão finos seus braços e pernas! ")
- Ousarei perturbar o universo?
Em um minuto apenas há tempo
Para decisões e revisões que um minuto revoga.

Pois já conheci a todos, a todos conheci
- Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,
Medi minha vida em colherinhas de café;
Percebo vozes que fenecem com uma agonia de outono
Sob a música de um quarto longínquo.
Como então me atreveria?

E já conheci os olhos, a todos conheci
- Os olhos que te fixam na fórmula de uma frase;
Mas se a fórmulas me confino, gingando sobre um alfinete,
Ou se alfinetado me sinto a colear rente à parede,
Como então começaria eu a cuspir
Todo o bagaço de meus dias e caminhos?
E como iria atrever-me?

E já conheci também os braços, a todos conheci
- Alvos e desnudos braços ou de braceletes anelados
(Mas à luz de uma lâmpada, lânguidos se quedam
Com sua leve penugem castanha!)
Será o perfume de um vestido
Que me faz divagar tanto?
Braços que sobre a mesa repousam, ou num xale se enredam.
E ainda assim me atreveria?
E como o iniciaria?
.......

Diria eu que muito caminhei sob a penumbra das vielas
E vi a fumaça a desprender-se dos cachimbos
De homens solitários em mangas de camisa, à janela
debruçados?
Eu teria sido um par de espedaçadas garras
A esgueirar-me pelo fundo de silentes mares.
.......

E a tarde e o crepúsculo tão .docemente adormecem!
Por longos dedos acariciados,
Entorpecidos . . . exangues . . . ou a fingir-se de enfermos,
Lá no fundo estirados, aqui, ao nosso lado.
Após o chá, os biscoitos, os sorvetes,
Teria eu forças para enervar o instante e induzi-lo à sua crise?
Embora já tenha chorado e jejuado, chorado e rezado,
Embora já tenha visto minha cabeça (a calva mais cavada)
servida numa travessa,
Não sou profeta - mas isso pouco importa;
Percebi quando titubeou minha grandeza,
E vi o eterno Lacaio a reprimir o riso, tendo nas mãos meu sobretudo.
Enfim, tive medo.

E valeria a pena, afinal,
Após as chávenas, a geléia, o chá,
Entre porcelanas e algumas palavras que disseste,
Teria valido a pena
Cortar o assunto com um sorriso,
Comprimir todo o universo numa bola
E arremessá-la ao vértice de uma suprema indagação,
Dizer: "Sou Lázaro, venho de entre os mortos,
Retorno para tudo vos contar, tudo vos contarei."
- Se alguém, ao colocar sob a cabeça um travesseiro,
Dissesse: "Não é absolutamente isso o que quis dizer
Não é nada disso, em absoluto."

E valeria a pena, afinal,
Teria valido a pena,
Após os poentes, as ruas e os quintais polvilhados de rocio,
Após as novelas, as chávenas de chá, após
O arrastar das saias no assoalho
- Tudo isso, e tanto mais ainda? -
Impossível exprimir exatamente o que penso!
Mas se uma lanterna mágica projetasse
Na tela os nervos em retalhos . . .
Teria valido a pena,
Se alguém, ao colocar um travesseiro ou ao tirar seu xale às pressas,
E ao voltar em direção à janela, dissesse:
"Não é absolutamente isso,
Não é isso o que quis dizer, em absoluto."

Não! Não sou o Príncipe Hamlet, nem pretendi sê-lo.
Sou um lorde assistente, o que tudo fará
Por ver surgir algum progresso, iniciar uma ou duas cenas,
Aconselhar o príncipe; enfim, um instrumento de fácil manuseio,
Respeitoso, contente de ser útil,
Político, prudente e meticuloso;
Cheio de máximas e aforismos, mas algo obtuso;
As vezes, de fato, quase ridículo
Quase o Idiota, às vezes.

Envelheci . . . envelheci . . .
Andarei com os fundilhos das calças amarrotados.

Repartirei ao meio meus cabelos? Ousarei comer um
pêssego?
Vestirei brancas calças de flanela, e pelas praias andarei.
Ouvi cantar as sereias, umas para as outras.

Não creio que um dia elas cantem para mim.

Vi-as cavalgando rumo ao largo,
A pentear as brancas crinas das ondas que refluem
Quando o vento um claro-escuro abre nas águas.

Tardamos nas câmaras do mar
Junto às ondinas com sua grinalda de algas rubras e castanhas
Até sermos acordados por vozes humanas. E nos afogarmos.

T. S. ELIOT

(tradução: Ivan Junqueira)

sábado, 21 de novembro de 2015

RESENHA DO LIVRO O GUARDIÃO DE MEMÓRIAS

** contém spoillers

EDWARDS, K. O guardião de memórias. Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2007.

reprodução

Professora-assistente de inglês na Universidade de Kentucky, nascida em quatro de maio de 1958, Kim Edwards escreveu a coletânea “Os segredos do Rei do fogo” e recebeu o Prêmio Whiting e o Prêmio Nelson Algren. Seu livro “O Guardião de Memórias” já vendeu mais de 500 mil exemplares no Brasil, estando em primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times. 
O romance intitulado “O Guardião de Memórias” traz o poder das decisões: uma tempestade de neve obriga o médico ortopedista David Henry a fazer o parto da própria esposa, em que nascem gêmeos. O menino, Paul, é saudável, porém quando nasce a menina, ele logo nota os sinais de Síndrome de Down. Inconformado e marcado pelo passado, o doutor entrega a menina para que a enfermeira, Caroline Gill, a leve até uma instituição. 
Caroline não consegue entregar Phoebe, e passa a cuidar dela com muito carinho, lutando para que ela seja aceita pela sociedade e que tenha uma vida digna. Enquanto isso, Paul cresce em um lar onde um muro irrefreável ascende entre o casamento de seus pais. Enquanto David é atormentado pelo remorso e se entrega cada vez mais a um mundo só dele, Norah, sua esposa, inconformada com a morte da filha começa a beber e a ter casos extraconjugais. 
A obra de Edwards traz uma lição incrível de quanto as decisões podem afetar não somente a vida daquele que as tomam, mas também daqueles ao seu redor. A decisão de David muda tudo em sua família e a dificuldade em consertar aquilo que já está feito corrói sua alma. 
Um ponto que chama a atenção é que a autora construiu personagens que não se pode decidir se são bons ou ruins, mostrando os defeitos e as qualidades de cada um, tornando uma obra mais próxima da realidade. Além disso, dá destaque as dificuldades dos portadores de Síndrome de Down na década de 70, mostrando ainda que eles podem ser como os demais seres humanos, precisam apenas de uma chance.
A obra é indicada para leitores que gostam de entrar nos personagens, que por ser tão bem detalhada faz sentir como eles.